UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA- UFBA
GARDÊNIA
DE O. CARDOSO DOURADO
MEMORIAL
Experiências Profissionais e Acadêmicas
Trabalho
apresentado à Universidade Federal da Bahia –
UFBA, como requisito parcial para aprovação em curso de Mestrado
profissional em Educação.
Ibititá-Ba
Julho/2013
Os educadores têm que "reinventar"
conceitos empregados como modelos de referência, visto que os tempos de ensinar
e aprender são outros e, portanto, há uma nova cultura e modo de ver o mundo; a
escola teria condição de dialogar com os outros mundos sociais e culturais em
que o corpo social é metaforicamente representado pelos referenciais até então
cristalizados no inconsciente coletivo.
Miguel Bordas e Munanga
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO.......................................................................................... 5
EXPERIêNCIA E APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL........................ 5
FORMAÇÃO ACADÊMICA E NOVAS PERSPECTIVAS........................... 9
PRODUÇÃO ACADÊMICA – NOVOS HORIZONTES.............................
16
PERSPECTIVAS DE ESTUDO E PESQUISA..............................................
18
REFERENCIAS
BIBLIOGRÁFICAS................................................. 20
Ao
escrever esse memorial busquei em minha memória o que havia de mais importante
na minha vida acadêmica e profissional, enfatizando as experiências, bem como
interesses teóricos, que norteiam minha trajetória profissional. A memória é um
conjunto de vivência e experiência agregadas ao longo de nossas vidas. Não
existe presente sem passado, nossas visões e comportamentos estão marcados pela
memória, por eventos e situações vividas.
Fazer
um memorial é fazer uma retrospectiva de nossa vida e trazer de volta
sentimentos adormecidos, alguns felizes outros não. Lembranças que me remetem a
momentos de construção e aquisição do conhecimento e saberes que me constituem.
O
presente Memorial tem por objetivo descrever a minha trajetória profissional e
acadêmica, destacando os cursos de aperfeiçoamento e atualização mais
relevantes. Discorri também sobre a Licenciatura em Geografia, que foi até o
momento, uma das maiores realizações da minha vida acadêmica. Registro, também,
nesse documento, um breve resumo da produção científica que produzi na
graduação, o trabalho de conclusão de curso - TCC. Foram abordadas minhas
perspectivas de estudo e pesquisa em relação a esse curso. Resumindo, foram
expostos de maneira sucinta as minhas conquistas e os meus maiores anseios no
âmbito da educação, já que a mesma vem se transformando a cada momento, fazendo
surgir novas perspectivas para nós professores promovendo novos desafios e
inovação para nossa prática pedagógica.
- EXPERIÊNCIA E APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL
Ser
professora sempre foi meu sonho, acredito que através da educação posso
contribuir para uma transformação benéfica da sociedade. Conclui o magistério
com dezenove anos em 1994 e neste mesmo período já lecionava e sempre busquei
aperfeiçoamento profissional, através de cursos, palestras e seminário
oferecido naquele período. Um dos cursos mais significativos na minha prática
pedagógica, antes da graduação foi o PROFA[1]
esse curso foi oferecido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com
o MEC. Neste curso encontrei-me pela primeira vez com teóricos que daí por
diante faria parte da minha vida profissional, teóricos esses, que passaram a
nortear minha prática pedagógica. Telma Weiz foi um deles, durante o curso tivemos
a oportunidade de lê e dialogar sobre vários textos, essa discussão
possibilitou aperfeiçoar-me quanto profissional.
No momento em que alguns alunos começam a se mostrar
perdidos e atrapalhados em relação aos conteúdos trabalhados, a escola que
assume responsabilidade com a aprendizagem de todos tem obrigação de criar um
sistema de apoio para que esses alunos não se percam pelo caminho. (TELMA WEIZ,
s/d, s/p.)
Quando
tal situação acontece, professores e todos os responsáveis pela educação da
criança devem adotar medidas de apoio ao mesmo, pois as dificuldades detectadas
devem ser extintas o mais rápido possível para que o aluno não se sinta incapaz
e rejeitado perante a turma. Inúmeras medidas podem ser tomadas imediatamente,
como atividades diferenciadas preparadas pelo professor, formação de grupos
para desenvolvimento de atividades onde os próprios alunos podem contribuir com
o avanço daquele que apresenta dificuldade. Outra medida é o acompanhamento
pedagógico em horários opostos às aulas, para garantir que essas dificuldades
sejam momentâneas. Para tanto a escola deve se dispor de ambientes adequados e
de grupos de apoio pedagógico cuja finalidade seja atender esses alunos, porém
deve-se ter cuidado para que esses alunos não sejam estigmatizados, que entre e
saiam dessas atividades de apoio de acordo com suas necessidades.
Um dos
maiores problemas enfrentados no ambiente escolar, é a escola não assumir a responsabilidade
do apoio pedagógico, na maioria das vezes por não ter condições estruturais e
não possuir pessoal adequado para a formação dos grupos de apoio, e acaba
transformando uma dificuldade momentânea em dificuldades de aprendizagem. Então,
por falta de alternativas, todos acabam desistindo, pais, professores e o
próprio aluno, gerando assim um baixo rendimento escolar que é tão presente no
nosso cotidiano. Esse problema é frequente na escola em que leciono, alunos
desinteressados, com dificuldades de
aprendizagem, indisciplina, entre outros.
Muitos
são os esforços dos professores para tentar reverter esse quadro, porém
encontramos muitos obstáculos, tanto estruturais como conjuntural, algumas das
medidas citadas acima já foram tomadas, porém, não tem surtido muito efeito, na
angustia diária, avalio
constantemente minha prática pedagógica, buscando se não solucionar, mas pelos
menos compreender os motivos responsáveis pelo elevado número de reprovação, e
consequentemente o fracasso escolar.
Outra
autora que considero de extrema importância na minha vida acadêmica é Emília
Ferreiro, pois através dela, revi meus conceitos sobre a educação, mais
precisamente sobre o ensino e os métodos a serem usados. A partir de sua
abordagem pude analisar e embasar a prática durante minha trajetória na
educação. Lembro muito bem que quando iniciamos os estudos de seus textos,
ainda no PROFA, alastrou-se um grande alvoroço no meio educacional, ficamos
“desequilibrados” (segundo Piaget) por um tempo, até acomodarmos com o novo.
Como tudo que é novo assusta, passamos por um período difícil, porém preciso, e
nós professores fomos obrigados a rever nossos métodos. Com Emília Ferreiro
aprendi a valorizar o “erro”, pois dele pode-se construir o aprendizado.
Partindo do erro o professor pode detectar o que o aluno compreendeu de
determinado conteúdo, a condenação pura do erro apenas pelo erro pode causar no
aluno certo constrangimento, levando-o a falta de motivação e desinteresse. Demonstra
que o professor desconhece o caráter interpretativo da inteligência infantil, muito
desses professores não estão capacitados para compreender algumas dificuldades
que a criança enfrenta antes de entender o verdadeiro sentido da leitura e
escrita.
Na
aprendizagem inicial as práticas utilizadas são, muitas vezes, baseadas na
junção de sílabas simples, memorização de sons e copias. Tais maneiras fazem
com que a criança se torne um espectador passivo ou receptor mecânico, pois não
participa do processo de construção do conhecimento. As formas tradicionais de
alfabetização inicial consistem num método no qual o professor transmite seus
conhecimentos aos seus alunos. Emília Ferreiro traz uma nova abordagem para a
alfabetização, uma proposta que gerou inovações significativas. Para Ferreiro (1996):
A leitura
e escrita são sistemas construídos paulatinamente. As primeiras escritas feitas
pelos educandos no início da aprendizagem devem ser consideradas como produções
de grande valor, porque de alguma forma os seus esforços foram colocados nos papéis
para representar algo. (FERREIRO 1996)
Nesse novo conceito de alfabetização é
preciso valorizar a escrita dos alunos mesmo que não seja convencional, pois
para a criança tudo que ela escreve faz sentido, está relacionado a algo que
lhe foi proposto, e o professor não deve apenas ignorar ou recriminá-la,
deve-se dialogar com a criança fazendo-a refletir sobre sua escrita, lhe
proporcionando fazer articulações entre a leitura e a escrita, essas práticas
sendo adotadas vai se constituindo em saberes e experiência e a criança vai se
tornando promotora ativa do seu próprio conhecimento.
Deve-se atribuir à escrita um caráter
de objeto social, isto é ter uma função, um objetivo para se escrever, para que
a criança não perceba que sua escrita é apenas uma forma de o professor ou
professora avaliar seus avanços. Segundo Emília Ferreiro, toda criança é capaz
de produzir e interpretar escritas cada qual no seu nível. Entretanto é
necessário que lhe sejam oferecidos o contato e a interação com a escrita nos
mais variados contextos.
Inicialmente essa nova proposta não
foi muito bem aceita pelos professores da rede municipal, porém não foi o meu
caso, pois sempre gostei de inovações e o ensino tradicional não me
proporcionava tais ações, porém, para que essa nova proposta apresentada no
curso alcançasse sucesso seriam necessárias algumas mudanças na estrutura
escolar, materiais e salas adequadas e principalmente o compromisso crítico e
positivo de todos os envolvidos na educação, aquela educação arcaica e mecânica
não satisfaz mais a sociedade vigente, portanto a mudança era necessária.
No decorrer do curso fui me adaptando
e aperfeiçoando a minha prática, proporcionando aos meus alunos um novo
universo de possibilidades e de construção de conhecimentos e saberes significativos.
Já havia assumido esse compromisso comigo no dia em que decidir ser professora,
portanto faltava algo que me embasassem e me conduziste, e esse curso me
proporcionou avanço e qualificação profissional que me nortearam nesse caminho.
Apesar da grande contribuição do PROFA, sabia que seria necessário ir além,
buscar novos caminhos, aprimorar ainda mais minha prática pedagógica, pois o
conhecimento não é algo pronto e acabado, ele está em constante transformação e
é constituído dia a dia, passo a passo.
- FORMAÇÃO ACADÊMICA E NOVAS PERSPECTIVAS
Então busquei me ingressar numa
faculdade, para melhor desempenhar meu papel como professora, e proporcionar um
ensino de qualidade. Buscava uma complementação para os cursos realizados.
Conseguir me ingressar no curso de Pedagogia na UNEB em 2008 e foi uma das
melhores coisas que me ocorreram na vida, as disciplinas estudadas no início do
curso, não contribuíram diretamente para minha prática pedagógica, mas muito
para a vida acadêmica, estudos como os de psicologia, sociologia e história da
educação me ajudaram a compreender melhor os processos que ocorreram na
sociedade e que aspectos influenciaram e/ou vem influenciando a educação na
contemporaneidade. Tenho consciência de
que no decorrer do curso muito mais seria aprendido e contribuindo em minha
prática, porém no terceiro semestre surgiu a oportunidade de fazer outro curso,
o de licenciatura em Geografia, foi um momento de muitas dúvidas e reflexões, e
influenciada por amigos e parentes, resolvi desistir de Pedagogia e me
ingressar em Geografia.
No inicio do curso de Geografia foi
muito parecido com que já havia visto, pois as disciplinas e os professores
eram os mesmos, pois ambos os cursos eram na Universidade Estadual da Bahia - Uneb.
Mudanças ocorreram de fato quando fui transferida do ensino fundamental I para
o II, pois o programa PROESP [2]
exigia que os professores estivessem em pleno exercício. O aprendizado
adquirido nos cursos de formação de professores me proporcionou um
desenvolvimento satisfatório no novo ambiente de trabalho.
Eu tinha experiência em ministrar
aulas, especialmente para alunos de alfabetização, e naquele momento teria que
lecionar para um novo público, com outros interesses, alunos com faixa etária
diferenciada, e agora além de me preocupar com o desenvolvimento de habilidades
de leitura e escrita, tinha outros conteúdos a ser trabalhado, uma ementa a ser
seguida. Havia pela frente um campo específico de conteúdos, onde teria a
oportunidade de pôr em prática os novos conteúdos aprendidos na faculdade, e o
mais importante, poder proporcionar aos alunos um ensino diferente daquele que
me foi oferecido no meu período escolar, um ensino mecânico e totalmente
tradicional.
Logo se iniciou as disciplinas
específicas e foi aí que me encantei pela Geografia, compreender a formação
espacial, social e territorial do Brasil e do mundo foi fantástico, a cada
momento uma nova descoberta, um novo olhar sobre o mundo e a sociedade,
compreender processos históricos e sociais que formaram e reformularam a
sociedade no decorrer dos tempos. Novos autores começaram a fazer parte do meu
cotidiano, Milton Santos, Yves Lacoste, Iná de Castro, Rui Moreira, Roberto
Lobato Corrêa e Lana de Souza Calvacanti. Todos são de extrema importância,
entretanto Lana me chamou mais atenção pelos textos relacionados à prática em
sala de aula, os quais serão abordados mais adiante.
Sabemos que a Geografia inicialmente
surgiu para atender mais aos interesses políticos do que da educação em si,
Lacoste afirma que desde o final do século XIX pode-se considerar a existência
de duas Geografias: a Geografia dos Estados Maiores e Geografia dos professores
que apareceu há menos de um século. A primeira servia para atender as minorias,
era utilizada pelos dirigentes que a usavam como instrumentos de poder. A
Geografia dos professores inicialmente não tinha nenhuma função útil, já que
era mascarada com discursos ideológicos nos quais não se acreditavam surti
muito efeito. Na verdade a Geografia trabalhada nas escolas era de forma
mecânica e desinteressante aos alunos, pois apenas se decoravam nomes de
Estados, Rios e seus afluentes, entre outros conteúdos.
No decorrer do curso eu descobrir que
a Geografia dos meus professores não tinha muito haver com a realidade, me
levando a refletir mais uma vez sobre a minha prática, será que estou fazendo
com os meus alunos o mesmo que fizeram comigo? Será que minhas aulas estão
sendo realmente adequadas aos meus alunos? Estou os fazendo refletir sobre os
conteúdos ou só memorizando? São angústias que me acompanham no cotidiano, que
me levam a buscar novos meios de inovar e aprimorar minha profissão.
O curso de graduação representou pra
mim um dos avanços mais significativos na minha vida profissional e acadêmica,
ele me proporcionou mais experiências, as quais alavancaram minha profissão.
Encarar o ensino da Geografia como uma ciência pronta e fragmentada faz parte
do passado da minha história acadêmica, atualmente compreendo que a Geografia
deve significar algo prazeroso e funcional, deve ser uma ciência cultivada em
todos os campos, os quais superam o conhecimento empirista. Vesentini aponta
que;
Mais do que nunca, é hoje uma
necessidade imperiosa conhecer de forma inteligente (não decorando informações
e sim compreendendo processos, as dinâmicas, as potencias mudanças, as
possibilidades de intervenção) o mundo em que vivemos, desde a escala local até
a nacional e a mundial. E isso afinal de contas, é ensino de geografia.
(VESENTINI, 1996, P.12).
Vesentini
deixa evidente que no ensino de Geografia deve-se levar em consideração a
realidade do aluno partindo de uma escala local para global, ir além da sala de
aula, as atividades devem ser contextualizadas com a realidade dos alunos.
Devem proporcionar um conhecimento mais amplo do mundo e das relações sociais
estabelecidas nos espaços. Através do estudo da Geografia, posso sempre
estabelecer relação da realidade dos alunos com os conteúdos que deve ser
trabalhados em sala de aula, proporcionando um verdadeiro sentido ao que está
sendo ensinado. Porém isso não é uma tarefa fácil, ao contrário, é muito
complexo e trabalhoso. Tenho salas lotadas com alunos provindos dos bairros
periféricos e bastante desinteressados, com culturas e interesses diferentes,
além da faixa etária não ser a mesma, a indisciplina é geral, busco compreender
o porquê de tanto desinteresse dos alunos, pois essa problemática acontece
também em aulas de outros professores e outras disciplinas.
Sabemos
que a realidade nas escolas é outra, ela vem acompanhando as inovações da
sociedade, até porque o público alvo vigente, não aceita mais o ensino de
outrora. Novos desafios estão sendo postos aos professores, de criar uma
prática docente que saiba lidar com o novo e produzir conhecimentos geográficos
com qualidade tornando essa ciência mais significativa para os discentes, fazendo-os
adquirir conhecimentos para a vida. Segundo Santos (1994) O meio
técnico-científico-informacional é um processo de cientificização, tecnização e
informatização do espaço que faz de informação uma variável fundamental para se
viver na sociedade globalizada. De
acordo com autor a sociedade está mudada e como nós fazemos parte dela devemos
nos adaptar para vivermos melhor, podemos mudar nossa maneira de encarar o
mundo, utilizar os novos elementos que a compõe.
A
globalização existe e com ela inúmeras transformações vêm invadindo o nosso
cotidiano escolar. Cabe ao professor buscar se adaptar a essa nova imposição do
capital, devemo-nos “encaixar” o mais rápido possível nesse meio se não
quisermos ser deixados para traz. O meio técnico-científico-informacional criou
um modo de vida contemporâneo em que espaço e tempo tomaram novos significados,
e que alterou significativamente o modo de se “produzir” sujeitos, outras
expectativas agora fazem parte dessa produção, devemos formar cidadãos capazes
de atuar nesta “nova” sociedade. Os conteúdos trabalhados devem ser
contextualizados, contribuindo para a produção de saberes mais significativos
para os alunos. De acordo com
Pontuschka, Paganelli e Cacete (2007) apud Santos, Costa e Kinn (2010);
A escola, nesse contexto, deve
apropriar-se das várias linguagens e meios de comunicação para ensinar a
decodificação, a análise, a interpretação e o uso de dados e informações e
desenvolver no aluno a capacidade de assimilar e conviver com outras e novas
tecnologias, que provocam também novas formas de aprender, com poder de
reflexão e visão crítica. (PONTUSCHKA, PAGANELLI E CACETE 2007) apud (SANTOS,
COSTA E KINN 2010, p.45);
Na
sociedade vigente as informações chegam com mais rapidez e facilidade aos
nossos alunos, porém de forma desigual, isto é, como trabalho em escola
pública, recebo alunos de bairros periféricos e de diversos povoados rurais os
quais não dispõem de equipamentos que lhes permitam ter acesso a esse meio
informacional, e quando esses alunos chegam às escolas (principalmente da sede
municipal) desconhecem esses equipamentos, ocasionando às vezes a dificuldade
na realização das atividades propostas. Tento proporcionar aulas mais dinâmicas
e participativas utilizando novas tecnologias como data shwou e computadores, para
apresentação de slides proporcionando aulas mais atrativas. Através de slides
tenho a oportunidade de oferecer aos meus alunos imagens maiores e mais nítidas
de mapas, paisagens, gráficos entre outros, pois sabemos que a imagem é um
forte aliado ao ensino da Geografia.
Professores
e alunos são sujeitos que constroem conhecimento e saberes, mas, para isso
necessitam ser inseridos neste universo de comunicação e informações que se
transformam constantemente. Trata-se de criar uma prática contextualizada,
reflexiva e crítica que propicie ao aluno a construção dos conceitos-chaves
para que ele possa desenvolver uma leitura geográfica e espacial dos fenômenos
que compõem a sociedade em que vive.
Cada
aluno, trás consigo uma bagagem que deve ser valorizada, sua cultura, seus
saberes, sua individualidade enfim, todo o aprendizado construído no decorrer
de sua vida. E saber lidar com essas particularidades não é tarefa fácil para o
professor, que deve considerar tudo que o aluno sabe, e proporcionar atividades
adequadas ao nível do aluno. Não deixando de lado os conteúdos a serem
trabalhados, pois é necessário que os novos saberes se assimilem aos já existentes.
O ensino é um processo dinâmico que
envolve três elementos fundamentais: o aluno, o professor e a matéria. Os três
elementos estão interligados, são ativos e participativos, sendo que a ação de
um deles influencia a ação dos outros. O aluno é sujeito ativo que entra no
processo de ensino e aprendizagem com sua “bagagem” intelectual, afetiva e
social, e é com essa bagagem que ele conta para seguir no seu processo de
construção; o professor, também sujeito ativo no processo, tem o papel de
mediar as relações do aluno com os objetos de conhecimentos; a geografia
escolar é considerada no processo como uma das mediações importantes para a
relação dos alunos com a realidade. (CAVALCANTI, 2010, p.48).
Partindo
do pressuposto que o aluno e professor são sujeitos ativos, nós professores
somos um dos elementos de maior responsabilidade pela construção do seu
conhecimento dentro do espaço escolar, por isso que devemos nos qualificar,
buscar sempre proporcionar um ensino de qualidade centrado na formação do sujeito
como um todo, e não fragmentada como no ensino tradicional. Contribuir no
desenvolvimento do aluno implica também trabalhar com outras dimensões da
formação humana, como a emocional e a social, e não só a cognitiva, a racional.
O ser humano é composto por todos esses elementos, e nenhum deles deve ser
ignorado.
O
emocional está diretamente ligado ao desenvolvimento cognitivo, ao escrever
sobre isso me recordo que quando criança sofria com a indiferença da professora
que não compreendiam meu comportamento, e me tratavam com muito rigor, não que
eu tinha problemas com a disciplina, pelo contrário ficava sempre no meu canto
quieta e sozinha. Naquela época não tinha muitos amigos e as professoras não
fazia nada para que eu me sentisse melhor, parece que desconhecia a interação,
e não desenvolvia nenhuma atividade para que ela acontecesse.
Meus
pais moravam num povoado rural e eu ficava toda a semana sem vê-los, e sentia
muita falta de minha mãe, e às vezes até chorava durante a aula, meus colegas
me perturbavam e zombavam de mim e a professora também acabava me reprimindo,
isso contribui para que eu me tornasse uma pessoa muito tímida, me prejudicando
muitas vezes, na vida pessoal e profissional.
Atualmente
não aceito nenhuma forma de preconceito em minhas aulas, tento dentro das
possibilidades, proporem atividades que promovam a interação da turma, converso
sempre com aqueles alunos mais quietos e sozinhos, tentando de alguma forma ajudá-los
para que desenvolvam significativamente as habilidades necessárias para
conviver na sociedade, afinal devemos pensar em nossos alunos como seres
humanos, que enfrentam problemas e angustias diárias, que na maioria das vezes
desconhecemos.
No período de 2010 a 2012 também fiz parte da
gestão escolar. E durante este período
compreendi que gestão é mais do que organizar o espaço físico da instituição.
Podemos observar que o perfil do gestor passou por algumas alterações, hoje ele
tem a necessidade de repensar alguns fundamentos na educação, quebrando
paradigmas, como a relação à interdisciplinaridade, a pedagogia de projetos,
temas geradores, uma verdadeira construção do conhecimento e habilidades.
Além de gestora, naquele momento também trabalhava um período em sala de aula,
e ciente da importância da interdisciplinaridade, como gestora tive a
oportunidade de participar do curso PROGESTÃO[3]
oferecido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Secretaria
Estadual de Educação o qual me proporcionou habilidades e competências para
desenvolver juntamente com a coordenação pedagógica e professores projetos e
campanhas, que contribuíram no aprendizado dos alunos.
A
interdisciplinaridade é um forte aliado nos dias atuais, pois proporciona ao
professor o desenvolvimento de atividades mais atraentes e promotoras da
interação entre os alunos e os conteúdos de disciplinas diferentes. Para tanto
gestão e o pedagógico necessitam desenvolver parcerias apropriadas que
contribuam para um objetivo em comum que é a construção do conhecimento e
desenvolvimento do sujeito como um todo. Sujeitos verdadeiramente preparados
para enfrentar a sociedade atual.
Em
Junho de 2012 concluir a pós-graduação em Metodologia de Ensino e Pesquisa na
Educação em História e Geografia, um curso que também contribuiu para minha
formação, os conteúdos específicos foram desenvolvida de maneira prática e
contextualizada, onde tivemos a oportunidade de ter contato direto com
situações as quais oferecemos aos nossos alunos. Percebo que se as disciplinas
específicas fossem trabalhadas desde o início do curso o aprendizado teria sido
maior. Entretanto, o curso contribuiu de certa forma para a minha formação
acadêmica e profissional.
No presente ano letivo enfrento muitos
problemas com os alunos, a maioria deles é provinda de bairros periféricos,
usuários de bebidas alcoólicas, e segundo comentários até mesmo de drogas, e o
restante deles são alunos de povoados rurais, com esses últimos não tenho muito
problema com indisciplina, porém outros problemas emergem como a dificuldade de
leitura e escrita. Como citadas anteriormente, muitas medidas podem ser
tomadas, mas precisaria de maior comprometimento de todos envolvidos na
educação.
O
que me intriga é a própria realidade da escola, pois na mesma encontram-se dois
espaços diferenciados. Uma só administração escolar, os mesmos professores,
enfim, os mesmos funcionários, porém realidades completamente diferentes nos
dois turnos, no matutino os alunos se desenvolvem fluentemente de maneira
esperada, enquanto o vespertino perdoe-me a força de expressão, mas é o caos,
alunos totalmente indisciplinados, saindo da sala o tempo todo, com dificuldades
na leitura e escrita, alguns que mal sabem escrever o próprio nome. Como
ensinar a esses alunos os conteúdos específicos que o ensino fundamental II
exige? A vontade é parar com tudo e começar do início, alfabetizar os alunos.
Sabemos que é possível, porém muito complexo. Necessitaria de muito mais
estudos e embasamento para isso.
Essa
realidade já vem me incomodando há tempos. Pensei até em realizar uma pesquisa
a respeito, já havia até iniciado o projeto de pesquisa sobre isso, mais
colegas da faculdade e até alguns professores me orientaram que seria melhor,
fazer algo direcionado aos conteúdos específicos da Geografia.
Hoje
percebo que poderia sim, ter realizado essa pesquisa, pois a mesma teria sido
mais funcional à minha prática, porém não posso dizer que me arrependi do
projeto que realizei, pois o mesmo me proporcionou um conhecimento mais amplo
da sociedade da qual faço parte.
3.
PRODUÇÃO
ACADÊMICA – NOVOS HORIZONTES
Ao
pensar numa temática para a pesquisa, muitas foram as dúvidas e questionamentos,
porém, levando em consideração a relevância de se conhecer a economia local,
decidimos pesquisar sobre a agricultura irrigada no município de Ibititá, para
compreender melhor os impactos advindos da irrigação. Digo decidimos, porque a
pesquisa foi realizada em grupo de três pessoas. A pesquisa teve como título:
Analisar as Consequências Socioespaciais e Econômicas da Agricultura Irrigada
na Dinâmica do Município de Ibititá-Ba. Para entender as alterações na produção
agrícola de Ibititá dentro de um contexto espacial, fez-se necessário uma
interação com o tempo, pois a geografia não teria significado sem a história do
espaço geográfico. Com base nessa ideia, essas alterações foram analisadas a
partir da década de 1990, período em que inicia o declínio da agricultura de
sequeiro. Após um longo período de perdas consecutivas entre 1990 a 2010, os
produtores buscaram desenvolver alguns projetos de irrigação, pois perceberam
que com a agricultura de sequeiro estavam tendo muitas perdas e não obtendo
lucro, buscaram investir na agricultura irrigada mecanizada, com o objetivo de
lucros imediatos, e de atender a demanda do mercado consumidor.
Com
essa nova realidade no campo em Ibititá, alguns agricultores estão se adaptando
à agricultura irrigada, porém nem todos disponibilizam de condições
financeiras; ficando dependentes de financiamentos agrícolas. A partir da implantação desses projetos,
os agricultores solicitaram financiamentos por algumas agências de fomento
agrário, a exemplo do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), para fortalecer o seu
desenvolvimento, fato que alterou a atividade agrícola, proporcionando uma
dinâmica satisfatória na economia do município. Um dos programas governamentais
que mais vem contribuindo com a agricultura familiar é o PRONAF[4],
pois atende financeiramente e fornece capacitação (para organizar os métodos de
produção) aos pequenos, médios e grandes agricultores, desde que comprovem que
sua renda seja exclusivamente da agropecuária.
Na
pesquisa investigamos os impactos socioespaciais e econômicos ocasionados pelo
desenvolvimento da agricultura irrigada no referido município, a mesma foi de
fundamental importância, pois o município não dispunha de nenhuma pesquisa
sobre essa temática. A realização desta pesquisa foi gratificante, pois o campo
de estudo está ligado ao cotidiano dos pesquisadores que buscaram identificar
as questões que norteiam a dinâmica econômica do município.
Proporcionou-me
um conhecimento sistematizado do local de vivência no olhar geográfico, portanto,
contribuindo para uma reflexão sobre agentes transformadores da dinâmica
social, espacial e econômica, pretendendo investigar, e compreender como essa
alternativa de cultivo, vem proporcionando uma nova dinâmica ao município, bem
como saber dos impactos mais relevantes e suas consequências no espaço em
questão.
Verificamos
ao final da pesquisa que a agricultura irrigada vem proporcionando ao município
de Ibititá uma dinâmica socioespacial e econômica, através da geração de
empregos direta ou indiretamente, renda e ocupação da mão - de - obras dos
trabalhadores rurais e mais produção agrícola para o agricultor. Detectamos que
boa parte desses agricultores não estão conseguindo se manter na agricultura
irrigada, devido à ausência de uma política pública voltada à comercialização
dos produtos, pois um dos maiores problemas enfrentados pelos agricultores são
os baixos preços impostos pelos atravessadores e o mercado consumidor.
A
realização dessa pesquisa me proporcionou maior desenvolvimento cognitivo e um
conhecimento mais amplo do meu município, pesquisar, possibilita ao professor
apropriar de conhecimentos alheios para melhor estruturar sua prática
pedagógica. No início, como havia dito acima, minha intenção de pesquisa era
outra, mas apropriar-se de saberes presentes no cotidiano dos meus alunos foi
muito bom, pois esse é o universo da maioria deles, seus pais vivem da
agricultura irrigada, e conhecendo de perto essa realidade fica mais fácil
compreender suas expectativas e seus anseios, pois é partindo da realidade dos
nossos alunos que devemos desenvolver nossa proposta de ensino.
As
mudanças na sociedade são visíveis e se a escola não atender esse novo conceito
de sociedade ficará pra traz, o mundo globalizado em que os nossos alunos estão
inseridos é muito mais atrativo do que a escola, e para que os alunos se tornem
atraídos por ela, precisamos urgentemente rever os nossos conceitos de como
fazer uma escola mais interessante que desperte neles, não só o desejo de
frequentá-la, mas sim o desejo de se envolver nas atividades propostas,
tornando-se indivíduos participativos e integrantes “totais” da comunidade
escolar, pois o que se ver atualmente são alunos parcialmente participativos,
só se envolvem em atividades que lhe permitirão ganhar pontos em alguns
componentes curriculares.
Alunos
comprometidos com a escola têm oportunidades melhores na vida, e o gestor,
pais, professores e todo o quadro escolar devem levá-lo a essa compreensão,
proporcionando-os uma escola promissora e adequada para a formação de cidadãos
comprometidos com o futuro da sociedade.
4.
PERSPECTIVAS DE
ESTUDO E PESQUISA
As experiências que adquiri durante a minha formação acadêmica e a minha atuação profissional fizeram com que eu buscasse um maior embasamento teórico para a condução de uma pesquisa na área educacional, percebi que deveria investir novamente na minha qualificação. E tenho certeza que esse mestrado é uma oportunidade para o devido aperfeiçoamento profissional, pois ele me proporcionará um estudo mais aprofundado, e maior entendimento das causas dos problemas que enfrento no cotidiano escolar.
O Estudo sobre Currículo, Ensino e Escola me possibilitará a compreensão da constituição do currículo em diferentes realidades e contextos educacionais. Compreender as relações de ensino e de aprendizagem no cotidiano escolar, a fim de desenvolver propostas curriculares e intervenções pedagógicas inovadoras direcionadas aos meus alunos, desenvolvendo suas habilidades e potencias. Tal compreensão me possibilitará solucionar os problemas que afetam a aprendizagem dos alunos e consequentemente prejudicando o desenvolvimento cognitivo do aluno. Diante do exposto, decidi escolher um curso de mestrado que me leve a sistematizar melhor as minhas leituras e que direcione meus objetivos de estudo.
REFERENCIAS
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