domingo, 20 de outubro de 2013

MEMORIAL APRESENTADO A UFBA - SELEÇÃO DO MESTRADO





UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA- UFBA

GARDÊNIA DE O. CARDOSO DOURADO










MEMORIAL
Experiências Profissionais e Acadêmicas









Trabalho apresentado à Universidade Federal da Bahia – UFBA, como requisito parcial para aprovação em curso de Mestrado profissional em Educação.











Ibititá-Ba
Julho/2013











Os educadores têm que "reinventar" conceitos empregados como modelos de referência, visto que os tempos de ensinar e aprender são outros e, portanto, há uma nova cultura e modo de ver o mundo; a escola teria condição de dialogar com os outros mundos sociais e culturais em que o corpo social é metaforicamente representado pelos referenciais até então cristalizados no inconsciente coletivo.

Miguel Bordas e Munanga



SUMÁRIO



APRESENTAÇÃO..........................................................................................  5
EXPERIêNCIA E APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL........................  5
FORMAÇÃO ACADÊMICA E NOVAS PERSPECTIVAS...........................  9
PRODUÇÃO ACADÊMICA – NOVOS HORIZONTES............................. 16
PERSPECTIVAS DE ESTUDO E PESQUISA.............................................. 18

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................  20
















APRESENTAÇÃO
                                                        
Ao escrever esse memorial busquei em minha memória o que havia de mais importante na minha vida acadêmica e profissional, enfatizando as experiências, bem como interesses teóricos, que norteiam minha trajetória profissional. A memória é um conjunto de vivência e experiência agregadas ao longo de nossas vidas. Não existe presente sem passado, nossas visões e comportamentos estão marcados pela memória, por eventos e situações vividas.
Fazer um memorial é fazer uma retrospectiva de nossa vida e trazer de volta sentimentos adormecidos, alguns felizes outros não. Lembranças que me remetem a momentos de construção e aquisição do conhecimento e saberes que me constituem.
O presente Memorial tem por objetivo descrever a minha trajetória profissional e acadêmica, destacando os cursos de aperfeiçoamento e atualização mais relevantes. Discorri também sobre a Licenciatura em Geografia, que foi até o momento, uma das maiores realizações da minha vida acadêmica. Registro, também, nesse documento, um breve resumo da produção científica que produzi na graduação, o trabalho de conclusão de curso - TCC. Foram abordadas minhas perspectivas de estudo e pesquisa em relação a esse curso. Resumindo, foram expostos de maneira sucinta as minhas conquistas e os meus maiores anseios no âmbito da educação, já que a mesma vem se transformando a cada momento, fazendo surgir novas perspectivas para nós professores promovendo novos desafios e inovação para nossa prática pedagógica.

  1. EXPERIÊNCIA E APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL

Ser professora sempre foi meu sonho, acredito que através da educação posso contribuir para uma transformação benéfica da sociedade. Conclui o magistério com dezenove anos em 1994 e neste mesmo período já lecionava e sempre busquei aperfeiçoamento profissional, através de cursos, palestras e seminário oferecido naquele período. Um dos cursos mais significativos na minha prática pedagógica, antes da graduação foi o PROFA[1] esse curso foi oferecido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com o MEC. Neste curso encontrei-me pela primeira vez com teóricos que daí por diante faria parte da minha vida profissional, teóricos esses, que passaram a nortear minha prática pedagógica. Telma Weiz foi um deles, durante o curso tivemos a oportunidade de lê e dialogar sobre vários textos, essa discussão possibilitou aperfeiçoar-me quanto profissional.
No momento em que alguns alunos começam a se mostrar perdidos e atrapalhados em relação aos conteúdos trabalhados, a escola que assume responsabilidade com a aprendizagem de todos tem obrigação de criar um sistema de apoio para que esses alunos não se percam pelo caminho. (TELMA WEIZ, s/d, s/p.)

Quando tal situação acontece, professores e todos os responsáveis pela educação da criança devem adotar medidas de apoio ao mesmo, pois as dificuldades detectadas devem ser extintas o mais rápido possível para que o aluno não se sinta incapaz e rejeitado perante a turma. Inúmeras medidas podem ser tomadas imediatamente, como atividades diferenciadas preparadas pelo professor, formação de grupos para desenvolvimento de atividades onde os próprios alunos podem contribuir com o avanço daquele que apresenta dificuldade. Outra medida é o acompanhamento pedagógico em horários opostos às aulas, para garantir que essas dificuldades sejam momentâneas. Para tanto a escola deve se dispor de ambientes adequados e de grupos de apoio pedagógico cuja finalidade seja atender esses alunos, porém deve-se ter cuidado para que esses alunos não sejam estigmatizados, que entre e saiam dessas atividades de apoio de acordo com suas necessidades.
Um dos maiores problemas enfrentados no ambiente escolar, é a escola não assumir a responsabilidade do apoio pedagógico, na maioria das vezes por não ter condições estruturais e não possuir pessoal adequado para a formação dos grupos de apoio, e acaba transformando uma dificuldade momentânea em dificuldades de aprendizagem. Então, por falta de alternativas, todos acabam desistindo, pais, professores e o próprio aluno, gerando assim um baixo rendimento escolar que é tão presente no nosso cotidiano. Esse problema é frequente na escola em que leciono, alunos desinteressados, com dificuldades de aprendizagem, indisciplina, entre outros.
Muitos são os esforços dos professores para tentar reverter esse quadro, porém encontramos muitos obstáculos, tanto estruturais como conjuntural, algumas das medidas citadas acima já foram tomadas, porém, não tem surtido muito efeito, na angustia diária, avalio constantemente minha prática pedagógica, buscando se não solucionar, mas pelos menos compreender os motivos responsáveis pelo elevado número de reprovação, e consequentemente o fracasso escolar.
Outra autora que considero de extrema importância na minha vida acadêmica é Emília Ferreiro, pois através dela, revi meus conceitos sobre a educação, mais precisamente sobre o ensino e os métodos a serem usados. A partir de sua abordagem pude analisar e embasar a prática durante minha trajetória na educação. Lembro muito bem que quando iniciamos os estudos de seus textos, ainda no PROFA, alastrou-se um grande alvoroço no meio educacional, ficamos “desequilibrados” (segundo Piaget) por um tempo, até acomodarmos com o novo. Como tudo que é novo assusta, passamos por um período difícil, porém preciso, e nós professores fomos obrigados a rever nossos métodos. Com Emília Ferreiro aprendi a valorizar o “erro”, pois dele pode-se construir o aprendizado. Partindo do erro o professor pode detectar o que o aluno compreendeu de determinado conteúdo, a condenação pura do erro apenas pelo erro pode causar no aluno certo constrangimento, levando-o a falta de motivação e desinteresse. Demonstra que o professor desconhece o caráter interpretativo da inteligência infantil, muito desses professores não estão capacitados para compreender algumas dificuldades que a criança enfrenta antes de entender o verdadeiro sentido da leitura e escrita.
Na aprendizagem inicial as práticas utilizadas são, muitas vezes, baseadas na junção de sílabas simples, memorização de sons e copias. Tais maneiras fazem com que a criança se torne um espectador passivo ou receptor mecânico, pois não participa do processo de construção do conhecimento. As formas tradicionais de alfabetização inicial consistem num método no qual o professor transmite seus conhecimentos aos seus alunos. Emília Ferreiro traz uma nova abordagem para a alfabetização, uma proposta que gerou inovações significativas. Para Ferreiro (1996):
A leitura e escrita são sistemas construídos paulatinamente. As primeiras escritas feitas pelos educandos no início da aprendizagem devem ser consideradas como produções de grande valor, porque de alguma forma os seus esforços foram colocados nos papéis para representar algo. (FERREIRO 1996)

Nesse novo conceito de alfabetização é preciso valorizar a escrita dos alunos mesmo que não seja convencional, pois para a criança tudo que ela escreve faz sentido, está relacionado a algo que lhe foi proposto, e o professor não deve apenas ignorar ou recriminá-la, deve-se dialogar com a criança fazendo-a refletir sobre sua escrita, lhe proporcionando fazer articulações entre a leitura e a escrita, essas práticas sendo adotadas vai se constituindo em saberes e experiência e a criança vai se tornando promotora ativa do seu próprio conhecimento.
Deve-se atribuir à escrita um caráter de objeto social, isto é ter uma função, um objetivo para se escrever, para que a criança não perceba que sua escrita é apenas uma forma de o professor ou professora avaliar seus avanços. Segundo Emília Ferreiro, toda criança é capaz de produzir e interpretar escritas cada qual no seu nível. Entretanto é necessário que lhe sejam oferecidos o contato e a interação com a escrita nos mais variados contextos.
Inicialmente essa nova proposta não foi muito bem aceita pelos professores da rede municipal, porém não foi o meu caso, pois sempre gostei de inovações e o ensino tradicional não me proporcionava tais ações, porém, para que essa nova proposta apresentada no curso alcançasse sucesso seriam necessárias algumas mudanças na estrutura escolar, materiais e salas adequadas e principalmente o compromisso crítico e positivo de todos os envolvidos na educação, aquela educação arcaica e mecânica não satisfaz mais a sociedade vigente, portanto a mudança era necessária.
No decorrer do curso fui me adaptando e aperfeiçoando a minha prática, proporcionando aos meus alunos um novo universo de possibilidades e de construção de conhecimentos e saberes significativos. Já havia assumido esse compromisso comigo no dia em que decidir ser professora, portanto faltava algo que me embasassem e me conduziste, e esse curso me proporcionou avanço e qualificação profissional que me nortearam nesse caminho. Apesar da grande contribuição do PROFA, sabia que seria necessário ir além, buscar novos caminhos, aprimorar ainda mais minha prática pedagógica, pois o conhecimento não é algo pronto e acabado, ele está em constante transformação e é constituído dia a dia, passo a passo.

  1. FORMAÇÃO ACADÊMICA E NOVAS PERSPECTIVAS

Então busquei me ingressar numa faculdade, para melhor desempenhar meu papel como professora, e proporcionar um ensino de qualidade. Buscava uma complementação para os cursos realizados. Conseguir me ingressar no curso de Pedagogia na UNEB em 2008 e foi uma das melhores coisas que me ocorreram na vida, as disciplinas estudadas no início do curso, não contribuíram diretamente para minha prática pedagógica, mas muito para a vida acadêmica, estudos como os de psicologia, sociologia e história da educação me ajudaram a compreender melhor os processos que ocorreram na sociedade e que aspectos influenciaram e/ou vem influenciando a educação na contemporaneidade.  Tenho consciência de que no decorrer do curso muito mais seria aprendido e contribuindo em minha prática, porém no terceiro semestre surgiu a oportunidade de fazer outro curso, o de licenciatura em Geografia, foi um momento de muitas dúvidas e reflexões, e influenciada por amigos e parentes, resolvi desistir de Pedagogia e me ingressar em Geografia.
No inicio do curso de Geografia foi muito parecido com que já havia visto, pois as disciplinas e os professores eram os mesmos, pois ambos os cursos eram na Universidade Estadual da Bahia - Uneb. Mudanças ocorreram de fato quando fui transferida do ensino fundamental I para o II, pois o programa PROESP [2] exigia que os professores estivessem em pleno exercício. O aprendizado adquirido nos cursos de formação de professores me proporcionou um desenvolvimento satisfatório no novo ambiente de trabalho.
Eu tinha experiência em ministrar aulas, especialmente para alunos de alfabetização, e naquele momento teria que lecionar para um novo público, com outros interesses, alunos com faixa etária diferenciada, e agora além de me preocupar com o desenvolvimento de habilidades de leitura e escrita, tinha outros conteúdos a ser trabalhado, uma ementa a ser seguida. Havia pela frente um campo específico de conteúdos, onde teria a oportunidade de pôr em prática os novos conteúdos aprendidos na faculdade, e o mais importante, poder proporcionar aos alunos um ensino diferente daquele que me foi oferecido no meu período escolar, um ensino mecânico e totalmente tradicional.
Logo se iniciou as disciplinas específicas e foi aí que me encantei pela Geografia, compreender a formação espacial, social e territorial do Brasil e do mundo foi fantástico, a cada momento uma nova descoberta, um novo olhar sobre o mundo e a sociedade, compreender processos históricos e sociais que formaram e reformularam a sociedade no decorrer dos tempos. Novos autores começaram a fazer parte do meu cotidiano, Milton Santos, Yves Lacoste, Iná de Castro, Rui Moreira, Roberto Lobato Corrêa e Lana de Souza Calvacanti. Todos são de extrema importância, entretanto Lana me chamou mais atenção pelos textos relacionados à prática em sala de aula, os quais serão abordados mais adiante. 
Sabemos que a Geografia inicialmente surgiu para atender mais aos interesses políticos do que da educação em si, Lacoste afirma que desde o final do século XIX pode-se considerar a existência de duas Geografias: a Geografia dos Estados Maiores e Geografia dos professores que apareceu há menos de um século. A primeira servia para atender as minorias, era utilizada pelos dirigentes que a usavam como instrumentos de poder. A Geografia dos professores inicialmente não tinha nenhuma função útil, já que era mascarada com discursos ideológicos nos quais não se acreditavam surti muito efeito. Na verdade a Geografia trabalhada nas escolas era de forma mecânica e desinteressante aos alunos, pois apenas se decoravam nomes de Estados, Rios e seus afluentes, entre outros conteúdos.
No decorrer do curso eu descobrir que a Geografia dos meus professores não tinha muito haver com a realidade, me levando a refletir mais uma vez sobre a minha prática, será que estou fazendo com os meus alunos o mesmo que fizeram comigo? Será que minhas aulas estão sendo realmente adequadas aos meus alunos? Estou os fazendo refletir sobre os conteúdos ou só memorizando? São angústias que me acompanham no cotidiano, que me levam a buscar novos meios de inovar e aprimorar minha profissão.
O curso de graduação representou pra mim um dos avanços mais significativos na minha vida profissional e acadêmica, ele me proporcionou mais experiências, as quais alavancaram minha profissão. Encarar o ensino da Geografia como uma ciência pronta e fragmentada faz parte do passado da minha história acadêmica, atualmente compreendo que a Geografia deve significar algo prazeroso e funcional, deve ser uma ciência cultivada em todos os campos, os quais superam o conhecimento empirista. Vesentini aponta que;

Mais do que nunca, é hoje uma necessidade imperiosa conhecer de forma inteligente (não decorando informações e sim compreendendo processos, as dinâmicas, as potencias mudanças, as possibilidades de intervenção) o mundo em que vivemos, desde a escala local até a nacional e a mundial. E isso afinal de contas, é ensino de geografia. (VESENTINI, 1996, P.12).

Vesentini deixa evidente que no ensino de Geografia deve-se levar em consideração a realidade do aluno partindo de uma escala local para global, ir além da sala de aula, as atividades devem ser contextualizadas com a realidade dos alunos. Devem proporcionar um conhecimento mais amplo do mundo e das relações sociais estabelecidas nos espaços. Através do estudo da Geografia, posso sempre estabelecer relação da realidade dos alunos com os conteúdos que deve ser trabalhados em sala de aula, proporcionando um verdadeiro sentido ao que está sendo ensinado. Porém isso não é uma tarefa fácil, ao contrário, é muito complexo e trabalhoso. Tenho salas lotadas com alunos provindos dos bairros periféricos e bastante desinteressados, com culturas e interesses diferentes, além da faixa etária não ser a mesma, a indisciplina é geral, busco compreender o porquê de tanto desinteresse dos alunos, pois essa problemática acontece também em aulas de outros professores e outras disciplinas.
Sabemos que a realidade nas escolas é outra, ela vem acompanhando as inovações da sociedade, até porque o público alvo vigente, não aceita mais o ensino de outrora. Novos desafios estão sendo postos aos professores, de criar uma prática docente que saiba lidar com o novo e produzir conhecimentos geográficos com qualidade tornando essa ciência mais significativa para os discentes, fazendo-os adquirir conhecimentos para a vida. Segundo Santos (1994) O meio técnico-científico-informacional é um processo de cientificização, tecnização e informatização do espaço que faz de informação uma variável fundamental para se viver na sociedade globalizada.  De acordo com autor a sociedade está mudada e como nós fazemos parte dela devemos nos adaptar para vivermos melhor, podemos mudar nossa maneira de encarar o mundo, utilizar os novos elementos que a compõe.
A globalização existe e com ela inúmeras transformações vêm invadindo o nosso cotidiano escolar. Cabe ao professor buscar se adaptar a essa nova imposição do capital, devemo-nos “encaixar” o mais rápido possível nesse meio se não quisermos ser deixados para traz. O meio técnico-científico-informacional criou um modo de vida contemporâneo em que espaço e tempo tomaram novos significados, e que alterou significativamente o modo de se “produzir” sujeitos, outras expectativas agora fazem parte dessa produção, devemos formar cidadãos capazes de atuar nesta “nova” sociedade. Os conteúdos trabalhados devem ser contextualizados, contribuindo para a produção de saberes mais significativos para os alunos.  De acordo com Pontuschka, Paganelli e Cacete (2007) apud Santos, Costa e Kinn (2010);
A escola, nesse contexto, deve apropriar-se das várias linguagens e meios de comunicação para ensinar a decodificação, a análise, a interpretação e o uso de dados e informações e desenvolver no aluno a capacidade de assimilar e conviver com outras e novas tecnologias, que provocam também novas formas de aprender, com poder de reflexão e visão crítica. (PONTUSCHKA, PAGANELLI E CACETE 2007) apud (SANTOS, COSTA E KINN 2010, p.45);

Na sociedade vigente as informações chegam com mais rapidez e facilidade aos nossos alunos, porém de forma desigual, isto é, como trabalho em escola pública, recebo alunos de bairros periféricos e de diversos povoados rurais os quais não dispõem de equipamentos que lhes permitam ter acesso a esse meio informacional, e quando esses alunos chegam às escolas (principalmente da sede municipal) desconhecem esses equipamentos, ocasionando às vezes a dificuldade na realização das atividades propostas. Tento proporcionar aulas mais dinâmicas e participativas utilizando novas tecnologias como data shwou e computadores, para apresentação de slides proporcionando aulas mais atrativas. Através de slides tenho a oportunidade de oferecer aos meus alunos imagens maiores e mais nítidas de mapas, paisagens, gráficos entre outros, pois sabemos que a imagem é um forte aliado ao ensino da Geografia.
Professores e alunos são sujeitos que constroem conhecimento e saberes, mas, para isso necessitam ser inseridos neste universo de comunicação e informações que se transformam constantemente. Trata-se de criar uma prática contextualizada, reflexiva e crítica que propicie ao aluno a construção dos conceitos-chaves para que ele possa desenvolver uma leitura geográfica e espacial dos fenômenos que compõem a sociedade em que vive.
Cada aluno, trás consigo uma bagagem que deve ser valorizada, sua cultura, seus saberes, sua individualidade enfim, todo o aprendizado construído no decorrer de sua vida. E saber lidar com essas particularidades não é tarefa fácil para o professor, que deve considerar tudo que o aluno sabe, e proporcionar atividades adequadas ao nível do aluno. Não deixando de lado os conteúdos a serem trabalhados, pois é necessário que os novos saberes se assimilem aos já existentes.

O ensino é um processo dinâmico que envolve três elementos fundamentais: o aluno, o professor e a matéria. Os três elementos estão interligados, são ativos e participativos, sendo que a ação de um deles influencia a ação dos outros. O aluno é sujeito ativo que entra no processo de ensino e aprendizagem com sua “bagagem” intelectual, afetiva e social, e é com essa bagagem que ele conta para seguir no seu processo de construção; o professor, também sujeito ativo no processo, tem o papel de mediar as relações do aluno com os objetos de conhecimentos; a geografia escolar é considerada no processo como uma das mediações importantes para a relação dos alunos com a realidade. (CAVALCANTI, 2010, p.48). 

Partindo do pressuposto que o aluno e professor são sujeitos ativos, nós professores somos um dos elementos de maior responsabilidade pela construção do seu conhecimento dentro do espaço escolar, por isso que devemos nos qualificar, buscar sempre proporcionar um ensino de qualidade centrado na formação do sujeito como um todo, e não fragmentada como no ensino tradicional. Contribuir no desenvolvimento do aluno implica também trabalhar com outras dimensões da formação humana, como a emocional e a social, e não só a cognitiva, a racional. O ser humano é composto por todos esses elementos, e nenhum deles deve ser ignorado.
O emocional está diretamente ligado ao desenvolvimento cognitivo, ao escrever sobre isso me recordo que quando criança sofria com a indiferença da professora que não compreendiam meu comportamento, e me tratavam com muito rigor, não que eu tinha problemas com a disciplina, pelo contrário ficava sempre no meu canto quieta e sozinha. Naquela época não tinha muitos amigos e as professoras não fazia nada para que eu me sentisse melhor, parece que desconhecia a interação, e não desenvolvia nenhuma atividade para que ela acontecesse.
Meus pais moravam num povoado rural e eu ficava toda a semana sem vê-los, e sentia muita falta de minha mãe, e às vezes até chorava durante a aula, meus colegas me perturbavam e zombavam de mim e a professora também acabava me reprimindo, isso contribui para que eu me tornasse uma pessoa muito tímida, me prejudicando muitas vezes, na vida pessoal e profissional.
Atualmente não aceito nenhuma forma de preconceito em minhas aulas, tento dentro das possibilidades, proporem atividades que promovam a interação da turma, converso sempre com aqueles alunos mais quietos e sozinhos, tentando de alguma forma ajudá-los para que desenvolvam significativamente as habilidades necessárias para conviver na sociedade, afinal devemos pensar em nossos alunos como seres humanos, que enfrentam problemas e angustias diárias, que na maioria das vezes desconhecemos. 
 No período de 2010 a 2012 também fiz parte da gestão escolar. E durante este período compreendi que gestão é mais do que organizar o espaço físico da instituição. Podemos observar que o perfil do gestor passou por algumas alterações, hoje ele tem a necessidade de repensar alguns fundamentos na educação, quebrando paradigmas, como a relação à interdisciplinaridade, a pedagogia de projetos, temas geradores, uma verdadeira construção do conhecimento e habilidades.  Além de gestora, naquele momento também trabalhava um período em sala de aula, e ciente da importância da interdisciplinaridade, como gestora tive a oportunidade de participar do curso PROGESTÃO[3] oferecido pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a Secretaria Estadual de Educação o qual me proporcionou habilidades e competências para desenvolver juntamente com a coordenação pedagógica e professores projetos e campanhas, que contribuíram no aprendizado dos alunos.
A interdisciplinaridade é um forte aliado nos dias atuais, pois proporciona ao professor o desenvolvimento de atividades mais atraentes e promotoras da interação entre os alunos e os conteúdos de disciplinas diferentes. Para tanto gestão e o pedagógico necessitam desenvolver parcerias apropriadas que contribuam para um objetivo em comum que é a construção do conhecimento e desenvolvimento do sujeito como um todo. Sujeitos verdadeiramente preparados para enfrentar a sociedade atual.
Em Junho de 2012 concluir a pós-graduação em Metodologia de Ensino e Pesquisa na Educação em História e Geografia, um curso que também contribuiu para minha formação, os conteúdos específicos foram desenvolvida de maneira prática e contextualizada, onde tivemos a oportunidade de ter contato direto com situações as quais oferecemos aos nossos alunos. Percebo que se as disciplinas específicas fossem trabalhadas desde o início do curso o aprendizado teria sido maior. Entretanto, o curso contribuiu de certa forma para a minha formação acadêmica e profissional.
 No presente ano letivo enfrento muitos problemas com os alunos, a maioria deles é provinda de bairros periféricos, usuários de bebidas alcoólicas, e segundo comentários até mesmo de drogas, e o restante deles são alunos de povoados rurais, com esses últimos não tenho muito problema com indisciplina, porém outros problemas emergem como a dificuldade de leitura e escrita. Como citadas anteriormente, muitas medidas podem ser tomadas, mas precisaria de maior comprometimento de todos envolvidos na educação.
O que me intriga é a própria realidade da escola, pois na mesma encontram-se dois espaços diferenciados. Uma só administração escolar, os mesmos professores, enfim, os mesmos funcionários, porém realidades completamente diferentes nos dois turnos, no matutino os alunos se desenvolvem fluentemente de maneira esperada, enquanto o vespertino perdoe-me a força de expressão, mas é o caos, alunos totalmente indisciplinados, saindo da sala o tempo todo, com dificuldades na leitura e escrita, alguns que mal sabem escrever o próprio nome. Como ensinar a esses alunos os conteúdos específicos que o ensino fundamental II exige? A vontade é parar com tudo e começar do início, alfabetizar os alunos. Sabemos que é possível, porém muito complexo. Necessitaria de muito mais estudos e embasamento para isso. 
Essa realidade já vem me incomodando há tempos. Pensei até em realizar uma pesquisa a respeito, já havia até iniciado o projeto de pesquisa sobre isso, mais colegas da faculdade e até alguns professores me orientaram que seria melhor, fazer algo direcionado aos conteúdos específicos da Geografia.
Hoje percebo que poderia sim, ter realizado essa pesquisa, pois a mesma teria sido mais funcional à minha prática, porém não posso dizer que me arrependi do projeto que realizei, pois o mesmo me proporcionou um conhecimento mais amplo da sociedade da qual faço parte.

3.    PRODUÇÃO ACADÊMICA – NOVOS HORIZONTES

Ao pensar numa temática para a pesquisa, muitas foram as dúvidas e questionamentos, porém, levando em consideração a relevância de se conhecer a economia local, decidimos pesquisar sobre a agricultura irrigada no município de Ibititá, para compreender melhor os impactos advindos da irrigação. Digo decidimos, porque a pesquisa foi realizada em grupo de três pessoas. A pesquisa teve como título: Analisar as Consequências Socioespaciais e Econômicas da Agricultura Irrigada na Dinâmica do Município de Ibititá-Ba. Para entender as alterações na produção agrícola de Ibititá dentro de um contexto espacial, fez-se necessário uma interação com o tempo, pois a geografia não teria significado sem a história do espaço geográfico. Com base nessa ideia, essas alterações foram analisadas a partir da década de 1990, período em que inicia o declínio da agricultura de sequeiro. Após um longo período de perdas consecutivas entre 1990 a 2010, os produtores buscaram desenvolver alguns projetos de irrigação, pois perceberam que com a agricultura de sequeiro estavam tendo muitas perdas e não obtendo lucro, buscaram investir na agricultura irrigada mecanizada, com o objetivo de lucros imediatos, e de atender a demanda do mercado consumidor.
Com essa nova realidade no campo em Ibititá, alguns agricultores estão se adaptando à agricultura irrigada, porém nem todos disponibilizam de condições financeiras; ficando dependentes de financiamentos agrícolas. A partir da implantação desses projetos, os agricultores solicitaram financiamentos por algumas agências de fomento agrário, a exemplo do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), para fortalecer o seu desenvolvimento, fato que alterou a atividade agrícola, proporcionando uma dinâmica satisfatória na economia do município. Um dos programas governamentais que mais vem contribuindo com a agricultura familiar é o PRONAF[4], pois atende financeiramente e fornece capacitação (para organizar os métodos de produção) aos pequenos, médios e grandes agricultores, desde que comprovem que sua renda seja exclusivamente da agropecuária.
Na pesquisa investigamos os impactos socioespaciais e econômicos ocasionados pelo desenvolvimento da agricultura irrigada no referido município, a mesma foi de fundamental importância, pois o município não dispunha de nenhuma pesquisa sobre essa temática. A realização desta pesquisa foi gratificante, pois o campo de estudo está ligado ao cotidiano dos pesquisadores que buscaram identificar as questões que norteiam a dinâmica econômica do município.
Proporcionou-me um conhecimento sistematizado do local de vivência no olhar geográfico, portanto, contribuindo para uma reflexão sobre agentes transformadores da dinâmica social, espacial e econômica, pretendendo investigar, e compreender como essa alternativa de cultivo, vem proporcionando uma nova dinâmica ao município, bem como saber dos impactos mais relevantes e suas consequências no espaço em questão.
Verificamos ao final da pesquisa que a agricultura irrigada vem proporcionando ao município de Ibititá uma dinâmica socioespacial e econômica, através da geração de empregos direta ou indiretamente, renda e ocupação da mão - de - obras dos trabalhadores rurais e mais produção agrícola para o agricultor. Detectamos que boa parte desses agricultores não estão conseguindo se manter na agricultura irrigada, devido à ausência de uma política pública voltada à comercialização dos produtos, pois um dos maiores problemas enfrentados pelos agricultores são os baixos preços impostos pelos atravessadores e o mercado consumidor.
A realização dessa pesquisa me proporcionou maior desenvolvimento cognitivo e um conhecimento mais amplo do meu município, pesquisar, possibilita ao professor apropriar de conhecimentos alheios para melhor estruturar sua prática pedagógica. No início, como havia dito acima, minha intenção de pesquisa era outra, mas apropriar-se de saberes presentes no cotidiano dos meus alunos foi muito bom, pois esse é o universo da maioria deles, seus pais vivem da agricultura irrigada, e conhecendo de perto essa realidade fica mais fácil compreender suas expectativas e seus anseios, pois é partindo da realidade dos nossos alunos que devemos desenvolver nossa proposta de ensino.
As mudanças na sociedade são visíveis e se a escola não atender esse novo conceito de sociedade ficará pra traz, o mundo globalizado em que os nossos alunos estão inseridos é muito mais atrativo do que a escola, e para que os alunos se tornem atraídos por ela, precisamos urgentemente rever os nossos conceitos de como fazer uma escola mais interessante que desperte neles, não só o desejo de frequentá-la, mas sim o desejo de se envolver nas atividades propostas, tornando-se indivíduos participativos e integrantes “totais” da comunidade escolar, pois o que se ver atualmente são alunos parcialmente participativos, só se envolvem em atividades que lhe permitirão ganhar pontos em alguns componentes curriculares. 
Alunos comprometidos com a escola têm oportunidades melhores na vida, e o gestor, pais, professores e todo o quadro escolar devem levá-lo a essa compreensão, proporcionando-os uma escola promissora e adequada para a formação de cidadãos comprometidos com o futuro da sociedade. 

4.    PERSPECTIVAS DE ESTUDO E PESQUISA

As experiências que adquiri durante a minha formação acadêmica e a minha atuação profissional fizeram com que eu buscasse um maior embasamento teórico para a condução de uma pesquisa na área educacional, percebi que deveria investir novamente na minha qualificação. E tenho certeza que esse mestrado é uma oportunidade para o devido aperfeiçoamento profissional, pois ele me proporcionará um estudo mais aprofundado, e maior entendimento das causas dos problemas que enfrento no cotidiano escolar.

O Estudo sobre Currículo, Ensino e Escola me possibilitará a compreensão da constituição do currículo em diferentes realidades e contextos educacionais. Compreender as relações de ensino e de aprendizagem no cotidiano escolar, a fim de desenvolver propostas curriculares e intervenções pedagógicas inovadoras direcionadas aos meus alunos, desenvolvendo suas habilidades e potencias.  Tal compreensão me possibilitará solucionar os problemas que afetam a aprendizagem dos alunos e consequentemente prejudicando o desenvolvimento cognitivo do aluno. Diante do exposto, decidi escolher um curso de mestrado que me leve a sistematizar melhor as minhas leituras e que direcione meus objetivos de estudo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERENCIAS

ALVES, Ana Paula A. Ferreira; SAHR, Cicilian Luiza Löwen. GEOGRAFIA ENSINADA – GEOGRAFIA VIVIDA? CONCEITOS E ABORDAGENS PARA O ENSINO FUNDAMENTAL NO PARANÁ. Revista Discente Expressões Geográficas. Florianópolis, 2009. p. 50. Disponível em      http://www.geograficas.cfh.ufsc.br/arquivo/ed05/art02ed05.pdf. Acessado em 20 de julho 2013

CAVALCANTI, Lana de Souza. A GEOGRAFIA ESCOLAR E A CIDADE: Ensaios sobre o ensino de geografia para a vida urbana cotidiana. 3 Ed. Campinas, São Paulo: editora Papirus, 2010. p. 48.

DUARTE, Karina; ROSSI, Karla; RODRIGUES, Fabiana. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. In: FERREIRO, Emilia. Alfabetização em Processo. São Paulo: Ed.Cortez, 1996. ISSN: 1678-300X

LACOSTE, Yves. A Geografia; isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Tradução de Maria Cecília França. Campinas: Papirus, 1988.

SANTOS, José Rosselvelt; COSTA, Cláudia Lúcia; KINN Marli Graniel; Ensino de Geografia e Novas Linguagens. Vol. 22. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2010. p. 43.




[1] PROFA - Programa de Formação de Professores Alfabetizadores
[2] PROESP- Programa de Formação de Professores do Estado
[3] PROGESTÃO – Programa de Capacitação de Gestores Escolares.
[4] PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar